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Caminhão de carga em rodovia ao entardecer com céu alaranjado ao fundo
Para empreendedores 6 min de leitura

Roubo de carga: menos casos, mais violência — e seu seguro?

Os roubos de carga caíram, mas ficaram mais violentos. Entenda o que isso muda na prática pra sua empresa e como o seguro protege sua operação.

por Marcelo Dick Lee /

Quando os números caem, a tendência é respirar aliviado. Mas no caso do roubo de carga no Brasil, cair em quantidade não significa cair em risco — muito pelo contrário.

Segundo dados publicados pela Revista Apólice, os registros de roubo de carga têm recuado nos últimos anos. O problema: as ocorrências que acontecem são cada vez mais organizadas, mais armadas e mais violentas. Motoristas rendidos, cargas de alto valor mapeadas com antecedência, rotas monitoradas por grupos criminosos. O crime ficou seletivo — e isso, na prática, é pior do que o volume alto.

O que mudou no perfil do crime

Antes, boa parte dos roubos era oportunista: caminhão parado no semáforo, carga mal protegida, motorista desatento. Hoje, o padrão predominante é diferente. As quadrilhas estudam a rota, sabem o que está sendo transportado e quando. Produtos eletrônicos, medicamentos, carnes e laticínios lideram o alvo — mas qualquer carga com valor de revenda atrativa está na mira.

O Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais ainda concentram a maior parte das ocorrências, mas o fenômeno se espalha por rodovias de todo o país. Regiões que pareciam seguras há cinco anos hoje figuram nas estatísticas.

Por que isso importa pra quem não é transportador profissional

Muita empresa que não se considera “do setor de transporte” movimenta cargas regularmente: produto enviado a cliente, matéria-prima recebida de fornecedor, mercadoria em trânsito entre filiais. Se você tem CNPJ e movimenta mercadoria — seja por frota própria ou por transportadora terceirizada — seu produto está exposto a esse risco no caminho.

E aqui vem o ponto que pouca gente sabe: o seguro da transportadora cobre o veículo e a responsabilidade civil do transportador — não necessariamente o valor integral da sua mercadoria. Se a carga vale R$ 120 mil e a cobertura contratada pela transportadora é de R$ 50 mil, a diferença fica com o dono da mercadoria, ou seja, você.

O seguro de transporte de cargas: o que cobre (e o que não cobre)

O seguro de transporte de cargas — também chamado de seguro de mercadorias em trânsito — é contratado pelo embarcador (quem envia a mercadoria) ou pelo destinatário (quem recebe). Ele cobre:

  • Roubo e furto qualificado durante o transporte
  • Acidentes com o veículo (capotamento, colisão, queda em ribanceira)
  • Danos causados por chuva, alagamento ou incêndio durante o trajeto
  • Avaria total ou parcial decorrente de eventos cobertos

O que costuma não estar coberto sem cláusula adicional: carga mal acondicionada, produtos perecíveis sem equipamento de refrigeração adequado e desvio de rota não autorizado.

Uma apólice básica pra uma carga de R$ 80 mil entre Porto Alegre e São Paulo pode custar entre R$ 300 e R$ 800 por embarque, dependendo do tipo de mercadoria e da rota. Cargas de alto risco (eletrônicos, por exemplo) saem mais caro — mas o custo é proporcional à exposição.

Averbação ou apólice aberta: como funciona na prática

Empresas que despacham cargas com frequência normalmente operam com uma apólice aberta — um contrato-mãe que cobre todos os embarques dentro de parâmetros definidos (tipo de carga, valor máximo por embarque, rotas habituais). A cada despacho, a empresa “averba” aquela carga: informa os dados e ela fica protegida.

Quem movimenta cargas com menos frequência pode optar pelo seguro por viagem, contratado pontualmente. É mais simples, mas custa mais por embarque.

Em ambos os casos, a lógica é a mesma: o seguro precisa ser ativado antes de a carga sair, não depois do problema.

E o motorista autônomo? Fica descoberto?

Boa parte das entregas no Brasil é feita por caminhoneiros autônomos. Eles, em geral, têm seguro de responsabilidade civil obrigatório (RCTR-C) — que cobre danos à carga causados por culpa do motorista, mas com limites. Roubo à mão armada não é culpa do motorista: é evento externo, e a cobertura padrão do RCTR-C não contempla isso automaticamente.

Se você contrata transporte autônomo com frequência, vale perguntar ao motorista ou à plataforma de frete qual é a cobertura exata e se há proteção contra roubo. A ausência dessa informação já é, por si só, um sinal de alerta.

O que fazer agora

Se você tem uma empresa que movimenta mercadorias — mesmo que de forma eventual — vale revisar três pontos:

  1. Quem é responsável pelo seguro da carga? Você ou a transportadora?
  2. O valor segurado cobre o valor real da mercadoria? Não o custo, o valor de mercado.
  3. Sua apólice cobre roubo à mão armada com restrição de rota? Algumas apólices excluem certas rodovias.

Essas respostas fazem diferença de centenas de milhares de reais num evento real.


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Marcelo Dick Lee / / Foto: ALE SAT / Unsplash
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