Previdência para filhos: como começar e quanto vale
Crescimento de 44% em 5 anos mostra que pais estão agindo cedo. Veja como funciona a previdência para menores, quanto custa e o que considerar.
Quarenta e quatro por cento. Esse foi o crescimento dos planos de previdência abertos em nome de menores de idade nos últimos cinco anos, segundo levantamento da Icatu Seguros. Não é tendência passageira — é um sinal claro de que pais e avós brasileiros entenderam algo fundamental: o tempo é o maior aliado de qualquer investimento de longo prazo.
Se você tem filhos ou netos e ainda não parou pra pensar nisso, este artigo é pra você.
Por que tanta gente está abrindo previdência para crianças?
A lógica é simples: quanto mais cedo o dinheiro começa a render, menos você precisa colocar todo mês pra chegar no mesmo resultado.
Um exemplo concreto: se você aplica R$ 200 por mês em um VGBL para um filho recém-nascido, com rentabilidade média de 8% ao ano, ao completar 18 anos ele terá acumulado algo em torno de R$ 90 mil. Comece quando ele tiver 10 anos com o mesmo valor e o montante cai para pouco mais de R$ 27 mil.
Essa diferença de quase R$ 63 mil vem apenas do tempo — não de aporte maior nem de sorte no mercado.
VGBL ou PGBL: qual contratar pra um menor?
Essa é a dúvida mais comum. A resposta curta: para a maioria dos casos, o VGBL é a escolha certa para crianças.
O PGBL tem uma vantagem fiscal interessante — permite deduzir até 12% da renda tributável no Imposto de Renda. O problema: crianças e adolescentes geralmente não têm renda tributável própria. Logo, a dedução não se aplica e o PGBL perde sua principal vantagem.
Já o VGBL é mais indicado para quem faz declaração simplificada ou não tem renda tributável — exatamente o caso de um menor. O imposto incide apenas sobre os rendimentos no momento do resgate, não sobre o total acumulado.
Resumo prático:
- VGBL → para crianças e adolescentes sem renda própria ✔
- PGBL → para adultos que fazem declaração completa do IR e têm renda tributável significativa
Quem pode contratar e como funciona na prática?
O contrato é feito pelos pais ou responsáveis legais em nome do menor. A criança é a beneficiária do plano — o dinheiro é dela desde o início, ainda que os depósitos sejam feitos pelos pais.
Documentação básica exigida pela maioria das seguradoras:
- RG/CPF da criança (sim, vale tirar o CPF do bebê logo após o nascimento)
- Documento dos pais ou responsáveis
- Certidão de nascimento
Alguns planos aceitam aporte inicial a partir de R$ 50 a R$ 100 e contribuições mensais de valores parecidos. Outros exigem um aporte mínimo maior na abertura, entre R$ 500 e R$ 1.000, com aportes mensais mais flexíveis depois.
O que acontece quando o filho completar 18 anos?
Aí mora um ponto que pouca gente discute antes de contratar: o menor assume a titularidade do plano automaticamente ao atingir a maioridade.
Isso significa que, legalmente, ele pode resgatar o dinheiro todo. Por isso, a conversa sobre educação financeira precisa caminhar junto com o plano de previdência — o produto faz a parte financeira, mas a família faz a parte da consciência.
Outra opção: manter o plano até a aposentadoria. Quem começa a acumular aos 0 anos e só resgata aos 65 tem décadas de rendimento composto trabalhando a seu favor.
Tabela regressiva ou progressiva?
Na hora de contratar, você escolhe como o Imposto de Renda vai incidir sobre o resgate:
- Tabela progressiva: alíquota vai de 0% a 27,5% dependendo do valor resgatado — segue a mesma lógica do IR da pessoa física
- Tabela regressiva: começa em 35% e cai até 10% conforme o tempo de aplicação (chega a 10% depois de 10 anos)
Para planos de filhos, que naturalmente são de prazo longo, a tabela regressiva costuma ser mais vantajosa. Dez anos de aplicação já garante a alíquota mínima de 10% — e se o plano ficar guardado dos primeiros anos de vida até a idade adulta, a tributação será bem menor.
Mas atenção: uma vez escolhida a tabela progressiva, é possível migrar para a regressiva. O caminho inverso não é permitido. Peça orientação antes de assinar.
E se eu quiser cobrir mais do que só o futuro financeiro?
Aqui entra um ponto que vai além da previdência tradicional: muitos planos permitem incluir coberturas de seguro de vida vinculadas ao contrato — em geral, protegendo o pagador das contribuições (o pai ou a mãe), não a criança.
Funciona assim: se o responsável falecer ou ficar inválido, a seguradora assume os aportes mensais até o fim do período contratado. O filho recebe o benefício sem interrupção, mesmo que a família perca a renda.
Essa cobertura tem um custo adicional, mas pode ser a diferença entre o plano chegar ao final ou ser resgatado no meio do caminho por necessidade financeira.
Se você quer entender melhor como o seguro de vida se encaixa no planejamento familiar, temos um artigo sobre como calcular o capital segurado de um seguro de vida que vale a leitura.
Quanto aportar por mês?
Não existe resposta única. Depende do seu objetivo: pagar faculdade, dar entrada num apartamento, complementar aposentadoria do filho.
Algumas referências pra começar a pensar:
| Objetivo | Prazo | Aporte mensal estimado* |
|---|---|---|
| R$ 50 mil pra faculdade | 18 anos | ~R$ 110/mês |
| R$ 100 mil pra apartamento | 18 anos | ~R$ 220/mês |
| R$ 300 mil pra aposentadoria | 30 anos | ~R$ 170/mês |
*Estimativas com rentabilidade real de 6% ao ano. Valores aproximados pra fins ilustrativos.
O mais importante é começar — mesmo com pouco. Ajustar o aporte ao longo do tempo é simples; recuperar anos perdidos de rendimento composto, não.
Onde contratar e o que comparar
O mercado oferece planos de previdência para menores em diversas seguradoras — Icatu, Brasilprev, Zurich, Caixa, entre outras. As diferenças que realmente importam na hora de escolher:
- Taxa de administração: a mais comum fica entre 0,7% e 2% ao ano. Prefira abaixo de 1% para planos de longo prazo
- Taxa de carregamento: cobrada sobre cada aporte. Muitos planos modernos já zeraram essa taxa — evite as que ainda cobram
- Política de resgate: há planos com carência mínima de 60 dias antes de qualquer resgate. Conheça as regras antes de assinar
- Fundos disponíveis: planos mais flexíveis permitem migrar entre perfis de risco (conservador, moderado, arrojado) sem incidência de IR
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O crescimento de 44% não é coincidência
Quando quase metade a mais das famílias brasileiras passa a investir em previdência para menores em apenas cinco anos, isso diz algo sobre como a percepção de planejamento financeiro está mudando no país.
Previdência para filhos não é produto de rico. É uma das ferramentas mais eficientes de transferência de patrimônio que existe — acessível a partir de R$ 100 por mês e com benefícios fiscais reais no longo prazo.
Se você ainda não iniciou, o melhor dia para começar foi ontem. O segundo melhor dia é hoje.
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