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Mecânico avaliando amassado no para-choque de um carro
Entendendo seguros 8 min de leitura

Como funciona a franquia do seguro na prática

Entenda como funciona a franquia do seguro: quando é cobrada, quando não é, e como escolher o valor certo pro seu bolso.

por Marcelo Dick Lee /

Um amassado na porta, um vidro trincado, um carro roubado na saída do trabalho. Em cada uma dessas situações, a primeira pergunta que passa pela cabeça de quem tem seguro é a mesma: “vou pagar franquia?”. E a resposta, na maioria das vezes, é “depende”. Entender como funciona a franquia do seguro é o que separa quem usa a apólice com tranquilidade de quem se surpreende com uma cobrança inesperada bem no momento em que mais precisa de ajuda.

Franquia é o valor que você paga do próprio bolso quando aciona o seguro pra cobrir um reparo ou substituição. A seguradora entra com o restante. Parece simples, mas a confusão aparece na hora de saber quando esse valor é cobrado, quando não é, e — o mais importante pra quem está cotando — qual faixa escolher sem cair numa armadilha de mensalidade barata com franquia salgada.

Como funciona a franquia do seguro no dia a dia

Pensa numa reforma de cozinha: você não chama o pedreiro pra trocar uma lâmpada. Da mesma forma, a franquia existe pra evitar que a seguradora seja acionada em qualquer arranhão de R$ 200. Ela funciona como um filtro: só vale a pena abrir o processo se o reparo custar mais que esse valor.

Exemplo prático: um carro de R$ 70 mil tem uma franquia de R$ 2.800 no seguro auto compreensivo. Se o para-choque quebrar e o conserto ficar em R$ 1.900, não compensa acionar o seguro — você paga direto na oficina e mantém seu histórico limpo. Já se o estrago for de R$ 8.000, você paga os R$ 2.800 da franquia e a seguradora cobre os R$ 5.200 restantes.

No seguro residencial a lógica é a mesma. Se um vazamento causar um estrago de R$ 1.200 e a franquia for R$ 1.500, não faz sentido abrir sinistro. Se o estrago for R$ 6.000, vale acionar.

Quando a franquia é cobrada

A franquia entra em cena em duas situações principais: perda parcial e reparos que exigem substituição de peças ou materiais. Bateu o carro e precisa trocar o para-lama? Franquia. Vazou o telhado e precisa refazer o forro? Franquia, no caso de sinistro residencial.

Vale reforçar: a franquia não é cobrada “sempre que algo acontece”. Ela é cobrada quando você aciona a seguradora pra cobrir o custo de um reparo. Se você resolve o problema por conta própria, não há franquia — porque não há acionamento de apólice.

Empresas que têm frota também sentem esse impacto multiplicado. Uma frota de 15 veículos com franquia média de R$ 3.000 por sinistro pode gerar um custo relevante se a gestão de risco for frouxa. É por isso que negócios costumam revisar o valor da franquia junto com a corretora antes de renovar a apólice — e não só pensando no valor da mensalidade.

Quando a franquia não é cobrada

Existem cenários em que você não paga nada, mesmo acionando o seguro. O mais comum é a perda total: quando o veículo é roubado e não recuperado, ou quando o custo do conserto passa de determinado percentual do valor segurado (geralmente 75%), a seguradora indeniza o valor integral e a franquia não é descontada.

Outro caso frequente: coberturas de vidros, faróis e retrovisores muitas vezes têm franquia reduzida ou zerada, dependendo da apólice. Assistência 24h, carro reserva e pequenos reparos cobertos por cláusulas específicas também costumam ficar de fora da cobrança.

No seguro de vida, a lógica de franquia praticamente não existe — o capital segurado é pago integralmente aos beneficiários. Já no seguro residencial, incêndio total do imóvel costuma seguir a mesma regra da perda total do auto: indenização plena, sem desconto.

Os três tamanhos de franquia

Quase toda seguradora oferece a mesma escada, com nomes que variam de uma para outra:

  • Reduzida — em torno da metade da franquia normal. Você paga menos na hora do sinistro e mais no prêmio mensal.
  • Normal (ou obrigatória) — o padrão da tabela, calculado sobre o valor do veículo.
  • Majorada (ou ampliada) — bem mais alta. Derruba o prêmio, e é a escolha de quem tem reserva e quase nunca aciona o seguro.

Não existe a melhor das três no papel. Existe a que combina com o seu caixa.

Como escolher o valor da franquia na hora de cotar

Aqui está o ponto que a maioria ignora na pressa de fechar a cotação: franquia baixa significa mensalidade mais alta, e franquia alta significa mensalidade mais baixa. Não existe almoço grátis. A escolha certa depende do seu perfil de risco e do seu caixa disponível pra emergência.

Se você mora em Porto Alegre e roda pouco, majoritariamente em bairros como Moinhos de Vento ou Petrópolis, com garagem fechada, uma franquia mais alta pode reduzir bastante o valor da mensalidade sem elevar muito o risco. Já quem trafega todos os dias por regiões de maior índice de furto, ou cidades como Canoas e Novo Hamburgo com trânsito mais pesado, tende a se beneficiar de uma franquia menor — mesmo pagando um pouco mais por mês.

Pra pessoa física, a regra prática é: guarde em reserva de emergência pelo menos o valor da franquia mais o combustível/dedução do dia. Pra empresa com frota, o cálculo muda — vale simular o custo total anual (mensalidade x 12 + franquias esperadas com base no histórico de sinistros) em vez de olhar só a parcela mensal.

Vale um segundo cálculo, que quase ninguém faz: pegue a diferença de prêmio anual entre as opções e compare com a diferença de franquia. Se subir para a majorada economiza R$ 600 por ano e aumenta a franquia em R$ 2.000, você está apostando que não vai acionar o seguro nos próximos três anos e pouco. Sabendo disso, a escolha deixa de ser palpite. Se quiser ver essa conta com exemplos reais de colisão, caso a caso, o post sobre franquia do seguro de carro destrincha cada cenário.

E há um efeito que o comparativo não mostra: sinistro de valor próximo da franquia raramente compensa acionar. Bateu o para-choque e o conserto sai R$ 3.200 com franquia de R$ 3.000? Acionar rende R$ 200 e ainda pesa no seu histórico na renovação. Franquia alta demais, na prática, significa uma apólice que você quase nunca usa.

Antes de assinar, peça pra corretora simular três cenários de franquia (reduzida, intermediária e normal) e compare o impacto na mensalidade e o impacto num caso de sinistro real, como o de um vidro trocado ou um retrovisor amassado. Essa comparação evita decisão baseada só no preço da parcela.

Onde conferir a franquia da sua apólice

A franquia está na apólice, no quadro de coberturas, ao lado de cada cobertura contratada — e não é um número só: casco, vidros, danos elétricos e alagamento podem ter valores diferentes na mesma apólice. Se você só sabe “a franquia do meu seguro”, provavelmente sabe apenas a do casco. Vale olhar a tabela inteira uma vez, com calma, antes de precisar dela.

No seguro residencial, a franquia costuma ser percentual

Aqui funciona diferente do auto, e pega muita gente de surpresa. No seguro residencial, boa parte das coberturas trabalha com franquia em percentual do prejuízo, com um valor mínimo — e não com um valor fixo em reais. Danos elétricos e alagamento, por exemplo, costumam ter franquia própria, separada da cobertura de incêndio. Vale ler essa tabela antes de contratar: é nela que se descobre se aquele estrago de R$ 1.500 estaria coberto de verdade.

O que olhar além do valor da franquia

Franquia é só uma parte da conta. Vale checar também se a apólice tem franquia diferenciada pra terceiros (RC — responsabilidade civil), porque em muitos casos o valor cobrado de terceiros é diferente do seu próprio veículo. E se você tem mais de um carro em casa, avalie se compensa colocar todos na mesma seguradora: alguns provedores reduzem a franquia proporcionalmente quando há multi-apólice.

Se você está decidindo entre seguro completo e RC simples, o valor da franquia costuma pesar bastante nessa escolha — e vale ler com calma antes de decidir.

Quer ver como a franquia se aplica ao seu caso específico? Você pode simular a cotação de seguro auto agora e comparar franquias lado a lado antes de fechar. Pra quem tem frota de empresa, o processo de cotação empresarial também permite ajustar o valor da franquia por veículo, o que muda bastante o resultado final da apólice.

Entender como funciona a franquia do seguro antes de contratar evita duas dores de cabeça: pagar caro demais por mês numa franquia baixa que você nunca vai precisar usar, ou economizar na mensalidade e se assustar com um valor alto justo na hora do aperto. A escolha certa é sempre a que equilibra seu perfil de uso com sua capacidade de caixa pra imprevistos.

Marcelo Dick Lee / / Foto: Clark Van Der Beken / Unsplash
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